TRÍADE - Página 7

Me deito, ele não move um dedo pra se deitar, ao contrário, pega uma arma e se posta sentado na porta da barraca com as pernas esticadas ao longo da entrada.
- Você sabe que enquanto um dorme o outro vigia certo? – havia me esquecido disso e senti um misto de desapontamento e culpa “sua desavergonhada, olha o anel em seu dedo”, automaticamente estiquei a mão direita à frente do corpo e observei-o, era lindo!
Mike se empertigou na porta e entrou num assunto bastante delicado.
- Você aceitou o pedido? – ele falava olhando pra fora, com a desculpa de vigiar, sabia que não tinha coragem de olhar pra mim.
- Não! Eu aceitei por causa da situação, mas não respondi a nenhuma expectativa, só disse que conversaremos quando voltar. – Como eu podia mentir dessa maneira? Estava manifestando um lado meio obscuro, como assim não dei expectativas, eu aceitei o anel. Mas as condições eram adversas e eu fiquei aparvalhada, não tinha como recusar naquela situação, isso complicaria tudo pra mim e, principalmente, pra ele.
- Sei que ele acreditou que se eu tivesse alguma coisa dele, estaria mais segura de alguma maneira, sei lá, e apaziguou seu coração, sofremos com a situação, foi uma forma de dizer “fique calmo, voltarei pra você”, entende?
Não conseguia ver seu rosto, mas seu corpo estava rígido e ele decididamente, não estava feliz. Uma pontada de culpa nova atravessou o meu peito, eu estava virando uma sem vergonha, será que eu estava iludindo dois homens, esse pensamento automaticamente foi trocado por outro, “sua presunçosa, quem disse que o Mike gosta tanto assim de você?”. Ah!! Sei lá, não sabia mais o que pensar, acho que estava imaginando coisas, depois de receber a notícia de que seria parte da tríade, de receber uma missão suicida e ser atacada em pleno voo, acho que não estava bem para avaliar sentimentos masculinos, afastei essas divagações ridículas e voltei pra barraca, atenta ao Mike, mas ele não disse nada, ficamos em silêncio por um tempo e eu resolvi dormir, afinal, teria que substituí-lo na vigilância.
- Eu não entendo Téo, no entanto, não tenho nenhum direito de te forçar a nada, mas pode ter certeza que não vou aceitar passivamente uma derrota.
Que derrota!!! Caramba! Do que ele tava falando, ai meu Deus!! Minhas suspeitas estavam se solidificando, eu me recusei a pensar em mais um dilema na minha vida e me forcei a dormir.
Trocamos a sentinela, por duas vezes, ele me deixou ficar muito pouco na porta da barraca e tenho certeza que não dormiu enquanto eu estive lá. Levantamos acampamento depois de termos tomado um café restrito com torradas sem nenhum acompanhamento. Eu não queria um banquete obviamente. Esse foi o combustível para caminharmos durante toda a manhã, paramos para um almoço rápido, tivemos que montar a barraca, pois mesmo sendo o fogo artificial ele não se mantinha aceso por causa do vento. Mike fazia isso com tanta presteza e rapidez que não era incômodo ou obstáculo fazê-lo, só paramos novamente para dormir e mantivemos o esquema da noite anterior.
Ele estava em sua vigília na entrada da barraca e, a meu contragosto, voltou ao assunto da noite anterior, estávamos cansados de tanto caminhar num lugar tão frio e difícil, as temperaturas eram muito baixas e se não fosse a tecnologia das roupas em nos manter aquecidos, não suportaríamos. Mas nem as as dificuldades faziam com que ele esquecesse o abençoado anel.
- Téo, você realmente resolveu ficar noiva do Imperador tão repentinamente, por quê? – ele parecia indignado demais com o fato.
- Eu não entendo por que você tá tão preocupado com isso, nós estamos no norte da Sibéria, correndo risco de sermos assassinados por um povo selvagem, para alegria de um Rei tirano (ele olhou pra mim com olhos arregalados), ah!! Não faça essa cara, sabe muito bem que isso deve ser mais do que verdade, e ainda fica me perguntando por que aceitei um anel de um homem desesperado pra caminhar até a morte em meu lugar?? Qual parte que você não entendeu? Caramba!! Não falamos nada de noivado, meu Deus!!! É só um anel pra eu me lembrar dele no meio desse caos, quis me dar um pouco de conforto, carinho!! Ainda dizem que nós, mulheres, é que complicamos tudo. Mike, faça-me um favor!!!
- Você é que não entende nada, Téo!! – Ele falou tão alto que achei que causaria uma avalanche, sentei-me e me encolhi na tenda, assustada!
- Calma, Mike, só falei pra que você não fique chateado comigo!! E quer saber... – falei saindo do saco de dormir e me postando ajoelhada ao seu lado. – Eu é que não entendo essa reação tão exasperada! Não gosto dessa versão de Mike “Conan, o bárbaro”, ok?
Ele virou pra mim com os olhos semicerrados, com cara de raiva pura, mas sentia que havia sofrimento por trás daquela postura de guerreiro ninja pronto pro combate.
- Eu não quero falar nisso agora, não é hora pra esse tipo de discussão!
- Ah! É?? Mas foi você quem começou essa conversa esdrúxula.
- Você sempre foi minha aluna preferida, a mulher que... a mulher que...
A conversa tava ficando muito estranha, tava começando a ficar com medo do que iria ouvir, já tava achando que cutuquei a onça com vara curta. E se ouvisse algo que traria pra mim mais problemas??
- Vamos dormir, pra você eu sou só o soldado raso de sempre que precisa de proteção, não é mesmo?
Como eu poderia ser tão tosca, fiquei preocupada em cutucá-lo e falei algo que mexeu no enxame de abelhas!! O que raios eu havia feito?
Sem sequer conseguir reagir, ele saltou da porta pra dentro da barraca me tomou em seus braços e me lascou um beijo de tirar o fôlego, quando aqueles músculos todos encostaram no meu corpo uma onda de eletricidade tomou conta de mim como se eu estivesse agarrada a um fio elétrico descascado de altíssima voltagem. Meu Deus!!! Perdi todo o controle e puxei-o pra mim com voracidade, ele começou a descer o zíper do meu macacão, arrancando-o de meus ombros com uma facilidade inigualável, parecia que ele havia arrancado macacões durante a vida inteira!!! Nossa! Eu não conseguia pensar, só queria sua boca, seu corpo pregados em mim, queria que nos tornássemos um só, entre mãos, bocas e cabelos e... pra mim só havia eu e ele e mais nada, nem todo o gelo da Sibéria parecia me apagar naquele momento, ele me tomava com voracidade, encontrou meu sutiã com ligeireza e já estava desabotoando quando, alguma coisa, eu não sei bem o que, a imagem de meu pai com barba cerrada e a cara fechada surgiu na minha mente e me deu um segundo de lucidez no meio daquele instinto voraz meu e dele, eu afastei-o resfolegante, meu coração ribombava no peito e parecia que eu nunca mais conseguiria respirar; ele não resistiu ao afastamento e parece que também voltou a si.
- Desculpe-me, Téo, por favor, desculpe-me!! Droga!! Droga!! Droga!! Eu não podia ter feito isso, juro que não estou me aproveitando da situação, me perdoe, seu pai me mataria se soubesse que eu...
- Hei!!! Calma! Não fizemos nada de...mais. – tropecei na respiração, afinal, depois dos últimos momentos achei que respirar se tornaria impossível e como eu estava com vergonha!!! Ainda bem que meu pai resolveu aparecer na minha cabeça, quando dizia “minha menininha não pode namorar se eu não disser que pode”, e Mike olhando pra mim com aquela cara de assustado, meu sutiã estava à mostra e ele continuava se desculpando desesperado, puxei o macacão, morrendo de vergonha, devia estar com o rosto em brasa apesar de estarmos num frio de 20 graus abaixo de zero.
Não sabia o que dizer e não queria que ele ficasse se explicando sobre o que havia acontecido isso me deixaria mais constrangida ainda. Meu Deus!! Eu criticava tanto as mulheres vulgares, olha só no que me tornei!!! Mal o homem se aproxima de mim, eu já me deixo arrancar o macacão!! Ai, não!!! O que eu fiz?? Teria que enfrentar a situação, mas tínhamos tanta coisa pra enfrentar, mais essa?
Não queria pensar, porém um pensamento insistia em atravessar meu arquivo cerebral intitulado “vida pessoal” pra tentar entender o que estava acontecendo com aquele Apolo, quer dizer, com Mike, será que ele era daqueles caras que traçavam todas as garotas com quem ficava perto, essa ideia me deixou triste, odiava homem vulgar, porém eu sabia que Mike não era assim, nunca o vi conversando com nenhuma mulher a não ser a trabalho e sério. Tudo bem que eu não ficava com ele 24 horas, mas eu tava sempre por perto, ele foi meu instrutor desde os 12 anos. E aqueles bíceps, aquele peitoral e a química que havia entre nós? Parecia que eu tinha colocado o dedo em um milhão de volts, sei lá! Acho que estou enlouquecendo na Sibéria.
Entrei no meu saco de dormir sem dizer palavra e ele continuava desolado, sofrendo. Meu Deus, dilema a essa altura e com homens, não, minha vida dependia do sucesso dessa missão e eu preocupada com homens!!! Ah, não!
Decidi dormir e me esquecer da vergonha que passei e dos meus instintos vorazes, que nem eu conhecia.
Acordei de manhã, ele sequer me deixou revezar com ele na vigília da noite, me senti mais culpada ainda, no entanto, continuei calada, tomamos o café e resolvemos conversar sobre uma estratégia de aproximação.
O que aconteceu na noite anterior foi deixado lá, ele não falou nada a respeito disso, depois de tentar se desculpar exaustivamente e dizer que meu pai o mataria se soubesse (e isso era verdade). Porém, ele trazia um sofrimento mais pesado nos olhos, isso me deixou chateada, mas no momento não havia como resolver. Tínhamos uma missão e é nisso que tínhamos que nos focar, até que ele não resistiu à culpa.
- Téo, por favor, me perdoe, eu nunca agi assim de forma tão selvagem. Vou tentar me manter lúcido e, de preferência, à distância, ok?
Confirmei sem esticar o assunto, sabia que não era hora pra isso, o que viria depois era importante demais para nossa própria sobrevivência. Estudamos o GPS e vimos que eles estavam se movimentando para o norte. Decidimos que tentaríamos nos aproximar como pessoas comuns, já que estávamos apenas nós dois e a pé. Só não sabíamos que não daria pra ser tão fácil.
Seguimos viagem, eu sabia que nós dois estávamos preocupados demais pra colocar em palavras o que sentíamos, parecia que se não disséssemos, estaríamos a salvo.
- Estamos ainda distantes por volta de um dia, segundo imagens de satélite no GPS, depois que atacaram nossa nave se puseram em marcha, estamos mais rápidos porque somos só nós dois, eles são muitos, mesmo assim ainda estamos distantes quase um dia, eles estão mais acostumados com o clima e ainda conhecem muito bem a região.
- Vamos tentar acelerar e não parar o dia todo.
- Certo.
Porém, mal voltamos a caminhar, Mike me puxou pelo braço e me fez recuar, uma silhueta se apresentava no horizonte e caminhava até nós. A paisagem na Sibéria é bastante ingrata, além de muito gelo, há muitos lugares planos, onde não havia sequer uma pedra para nos escondermos, a montanha mais próxima ficava a uns 8 a 10 metros.
O jeito era ficar parado apontar uma arma e orar para que os sujeito que vinha só graças a Deus, não fosse nômade ou não quisesse nos matar. Mike me colocou atrás dele obviamente sob meus protestos.
- Téo, fique quieta!! – eu meio que fui vencida pela estrutura dele, claro, não teria chance, ele se projetava como uma montanha na minha frente, não tinha força pra afastá-lo, resolvi não protestar mais.
Ele tinha a arma apontada, mas deixou-a meio escondida para que não alarmasse quem quer que estivesse se aproximando. A pessoa em questão estava mais perto e identificamos, quase ao mesmo tempo, o uniforme do nosso exército. Infelizmente, em razão de conhecer melhor a índole do Rei, talvez realmente não fosse um bom sinal.
Porém, ao tirar o capuz de neve e ouvir a voz, meu coração disparou.
- Filha, Mike, sou eu, Tomas.
- Pai!!!! – saí de trás do Mike e corri em sua direção me atirando em seus braços e sendo levantada do chão e girada no ar. Meu pai é um homem tão alto quanto Mike, cabelos loiros como os meus e barba cerrada, olhar taciturno de general, mas bondoso de... meu incrível pai e verdes cor de mata selvagem, mais escuros e bravos que os meus.
- Filha, senti tanta saudade. – Não era homem de manifestar suas emoções, talvez porque já tivesse visto muitos horrores em guerras, mas não perdeu nada de sua doce humanidade que fazia dele o homem de cara brava mais bondoso que já conheci nessa terra.
Ele me apertou tão forte que achei que meus ossos fossem estralar. Desceu-me no chão e virou-se para Mike, um grande amigo.
- Deixei essa mocinha sob sua responsabilidade e olha o que acontece, você a traz pra uma missão nada promissora, Mike?
Eles apertaram as mãos num gesto fraterno de homens durões. Mike estava com um sorriso tímido no rosto e por mais bronzeado que fosse, um pouco corado, talvez pelo reflexo da neve, não sei dizer.
- Senhor Tomas, sabe que vim a contragosto, não tivemos escolha!
- Sim, já sei perfeitamente a razão de tudo isso. – Olhavam-se de forma cúmplice, a impressão que tive é que queriam me deixar fora de uma história muito suja acontecendo nos bastidores do poder. Mas eu não poderia ficar alheia, era alvo de um plano sórdido do Rei. Com a presença de meu pai essa ideia tomou mais forma em minha cabeça.
- Hei!! Não sou tola pai! O que o Rei Tirano quer afinal de mim!! Envergonhar você? Ainda não entendi direito qual o plano dele, mas como diria Shakespeare, “há algo de podre no reino da Dinamarca”, no caso de Avórdia. Qual é a dele pai?
Eles já me olhavam com olhos arregalados.
- Peraí, não acharam que eu era burra certo? – indaguei irritada de pensarem por um minuto que eu não estava entendendo que havia algo maior por trás de todas decisões reais dos últimos dias.
- Claro que não, sei bem a filha que tenho, só não pensei que já fosse proferindo ofensas contra o Rei, se alguém nos ouve, estaríamos fritos.
- Eu já estou frita, por alguma razão que desconheço e você sabe bem disso. – Ele soltou o ar com força, coçou a cabeça, isso não era bom sinal. Percebi a tristeza misturada com decepção e revolta em seus olhos.
- Também não sei ao certo o que ele quer filha, enviando-a para uma missão dessas, só sei que quer atingir a mim e a sua mãe. Sempre confiei em sua inteligência e bom senso, por essa razão, sei que já está matutando prováveis saídas. Vim para conversarmos sobre isso, minha base está há dois dias daqui cobrindo parte do aqueduto. Mas não poderia deixar vocês sem maiores informações do que irão encontrar.
- Imaginei que assim que soubesse viria ao nosso encontro. – Mike se pronunciou pela primeira vez, parece que já entendia também o que estava acontecendo.
- Mike, fiquei um pouco aliviado quando soube que era você a vir com ela.
- Eles queriam mandar soldados rasos, mas me prontifiquei e bati pé pra que me enviassem, disse que não permitiria que ela viesse sem mim, seria um contrassenso. Depois de muito esbravejar ele aceitou, mas percebi que não queria, porém também não queria levantar suspeitas perante o governo e nossos concidadãos.
Estava ouvindo essa parte boquiaberta, não sabia que Mike havia arriscado seu pescoço pra vir comigo, realmente, o Rei está decidido a me matar, envergonhar, não sei bem ao certo ainda, mas suas intenções eram piores do que pensei.
- Obrigada Mike, eu não sabia dessa parte, nem imaginei! – ele colocou a mão embaixo do meu queixo com um olhar de ternura e lava derretida brotou dentro de mim. Meu pai estava ali, empurrei suavemente sua mão a tempo de não perder o controle.
- Não faria nada diferente nem que me levassem pra decapitação. – eu sabia que sua fala era sincera, conhecia muito bem a dignidade e o caráter de Mike.
Meu pai pigarreou, talvez para quebrar o clima, não sei, nos fez voltar à situação.
- E agora, eles estão se distanciando de nós, devemos nos apressar pai.
- Eu não posso ir com vocês, o Rei está nos vigiando por satélite.
- Caramba!! Ele está vendo que o senhor está aqui, o que vai dizer a ele?
- Não filha, ele sabe que alguém do exército veio, não tem certeza se sou eu, com essa paisagem, a imagem de satélite não pode ser tão nítida. Os meus soldados me cobririam, qualquer um se colocaria no meu lugar para não dizer que fui eu que estive aqui. Sabe que eles são leais a mim.
- Sei pai e provavelmente seja isso que esteja despertando a preocupação e por que não, inveja do Rei!
Ele chacoalhou os ombros em sinal de dúvida.
– Pode ser filha, pode ser. Vocês têm que se apressar e eu tenho que voltar pro meu comando se o Rei quiser falar comigo no netpi os homens darão um jeito de não atenderem com a desculpa de que o sinal estava péssimo. Tenho que voltar logo e vocês devem seguir rapidamente viagem. Só quero dizer que já falei uma vez com o líder nômade, ele se chama Rashid e não é um selvagem cruel, aliás, duvido que eles sejam. Mas eu só tive oportunidade de falar com ele numa invasão que houve ao norte de Avórdia, ele foi aberto ao diálogo e disse que eu demonstrava ser digno e generoso, estávamos em luta e ele exigiu conversar com o general, afinal, estavam perdendo e não conseguiriam sair vivos de lá sem trégua. Conversamos e ele resolveu se retirar do território. Isso significa que vocês têm alguma chance de aproximação, mas saibam que ele odeia vorazmente o nosso Rei.
- Ah!!! Então são dois!
- Téo – eles falaram em uníssono, bravos comigo. – E não é verdade?? Um Rei que me manda numa missão dessas sendo a minha primeira, o que se pode esperar dele?
- Tomas, não temos mais tempo, eles estão se movendo enquanto estamos parados aqui, precisamos ir.
- Filha! – ele olhou pra mim e desconfiei que por debaixo dos óculos para neve seus olhos estavam embaçados, não comentei, só fixei meus olhos nele para gravar seu rosto, precisaria disso pra ter força e fazer o que teria que ser feito. – Sei que usará sua inteligência acima de tudo, tente uma humilde abordagem, apesar dos macacões que identificam você como sendo de Avórdia eles não saberão quem ao certo são. Use seu instinto, sua inteligência para essa abordagem, ok? Sei que o Mike, além de um soldado incrível, também é extremamente perspicaz e vai proteger e ajudar você a pensar em uma saída, ok?
- Sim pai, eu sei!! Fique tranquilo, farei meu melhor! – já chorava sem conseguir me conter.
Meu pai foi se afastando e acenando, Mike me abraçou forte e nos colocamos novamente em marcha, rumo ao nosso misterioso destino. Agora já não despreparada, tinha um plano em mente e acreditava que daria certo.
Como não paramos, nos forçamos a caminhar cerca de 14 horas sem parar, comíamos tabletes de carne para termos energia enquanto caminhávamos, Mike viu pela imagem de satélite que as tendas montadas estavam próximas de nós cerca de duas horas, eles haviam parado, nós não poderíamos parar. Mike me puxou pelo braço.
- Você está muito cansada, temos que parar um pouco e descansar.
- Não, eu não vou parar, eu vou aguentar, precisamos chegar até eles. – minhas pernas estavam doendo, minhas mãos pareciam estar enrijecendo, não exatamente pelo frio porque as roupas eram térmicas e nos mantinha aquecidos, mas pela exaustão. Porém, tínhamos que avançar, aproveitar a curta distância e o fato de estarem parados.

Mike me olhou incrédulo por debaixo dos óculos e prosseguimos sem mais nenhuma palavra. Todos os meus nervos estavam gritando, minhas articulações, mas eu estava obstinada a conseguir. 

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